A reclassificação do Jundiaí mostra que estamos no caminho certo, diz presidente da Agência PCJ

A reclassificação do Jundiaí mostra que estamos no caminho certo, diz presidente da Agência PCJ

O dia 24 de abril será uma data lembrada pela gestão de recursos hídricos do Estado de São Paulo, especialmente na Bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, com a consolidação de 33 anos de trabalho, estudo e investimento. O Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CRH), em Reunião Extraordinária no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, aprovou a reclassificação do rio Jundiaí de classe quatro para três no trecho da foz do Córrego Pinheirinho, em Várzea Paulista, até a confluência com o Ribeirão São José, em Itupeva a jusante da cidade; e da foz do Córrego Barnabé, em Indaiatuba, até a foz do Rio Jundiaí no Rio Tietê, em Salto. 

O pedido do reenquadramento foi realizado pela cidade de Salto e pela Sabesp, depois que a Companhia Ambiental do Estado (Cetesb) atestou a qualidade da água com condições de ser utilizada para abastecimento público, após tratamento convencional ou avançado. Aliás, os 128 quilômetros do Rio Jundiaí estão com qualidade para o abastecimento público. 

Segundo o diretor-presidente da Fundação Agência das Bacias PCJ, Sérgio Razera, a mudança é resultado de uma gestão em recursos hídricos que trabalha constantemente para melhorar a qualidade das águas.  “A reclassificação do Rio Jundiaí demonstra que estamos no caminho certo, que a gestão funciona”, disse Razera, que foi entrevistado pelo Correnteza Express sobre o reenquadramento. Confira abaixo. 

CORRENTEZA EXPRESS – A aprovação no CRH é resultado que uma boa gestão traz melhoria para os recursos hídricos?
Sérgio Razera – Sem dúvida. É muita alegria e satisfação porque significa muitos anos de trabalho, que a gestão de recursos hídricos funciona. Quando começamos com a Lei Paulista (nº 7.663), na década de 1990, mudou a forma de fazer a gestão para o modo descentralizado e participativo, principalmente nas nossas bacias urbanas. Mas não é uma ação imediata e demoramos 20, 30 anos. Significa que estamos no caminho certo, que a gestão funciona.

EXPRESS – É um trabalho constante, que não pode parar…
SR – Temos muito que caminhar. Ainda precisamos avançar. Nossa luta conseguiu como primeiro feito a melhoria na qualidade do Jundiaí. Tivemos intensa participação dos usuários industriários, que foram realizando suas exigências, as empresas de saneamento também cooperaram bastante. Foi muito dinheiro envolvido.

EXPRESS – Existe ainda um trabalho de convencer os usuários a investir em melhoria das águas?
SR – Sim. Foram ações realizadas ao longo de 30 anos e de convencimento destes usuários para aplicar este recurso na melhoria das águas. Fomos avançando neste processo de gestão, demonstrando as vantagens desta ação, estamos colhendo os frutos.

EXPRESS – Quais serão os próximos passos? 
SR – Trabalhar na remoção de outros poluentes, como o nitrogênio, fósforo. Será uma nova etapa, para permitir o uso da água para outras finalidades. O grosso do trabalho foi feito pelas empresas, a Cetesb… Recordo que o Comitê PCJ teve participação muito importante no processo. Na década de 1990, quando a cidade de Jundiaí pediu mais água para ser retirada do Rio Atibaia, o CBH exigiu que fizesse um reservatório e tratasse 100% do esgoto. Então Jundiaí foi a primeira cidade do PCJ, de grande porte, a ter todo esgoto tratado.

EXPRESS – Para a população, além de ter maior segurança hídrica, há outro ponto positivo?
SR – Os habitantes que estão na bacia vão ter mais segurança e também a indústria, que vai economizar, todos terão mais água para ser usada no período de estiagem. Mas há também a felicidade de ver um rio, que há pouco tempo estava poluído, e agora tem peixe, atividade de lazer e melhora a imagem da região. Não tem preço. É orgulho ter um rio como este.

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