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Carências do mercado atraem novatas estrangeiras

01/06/2017

Novatas estrangeiras

A Operação Lava ­Jato, a desvalorização do câmbio e as carências no setor de saneamento atraem novos grupos para investir em concessões, Parcerias Público­ Privadas (PPPs) e contratos de desempenho. No fim de abril, o fundo de investimento canadense Brookfield anunciou a aquisição de 70% da Odebrecht Ambiental por US$ 908 milhões, trazendo o grupo japonês Sumitomo como coinvestidor de 14% da fatia, com investimento estimado em US$ 250 milhões. Os 30% restantes continuam nas mãos do FI­FGTS.

No fim de 2015, a Itochu adquiriu 49% da participação da Queiroz Galvão na Águas do Brasil. Outros três grupos nipônicos (Mitsui, Mitsubishi e Marubeni, este último já tem parcerias na área no país, estão de olho em negócios. “As cinco grandes tradings japonesas querem aumentar presença no Brasil”, afirma um advogado. O índice de perdas e eficiência na rede no Japão é um dos melhores do mundo.

Os chineses também estão atentos: a CGGC anunciou a intenção de adquirir a PPP de São Lourenço, criada para aumentar o abastecimento hídrico no Estado de São Paulo e construída pela Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa. Ano passado, o grupo indiano Wabag se associou à Odebrecht para participar de licitação de uma subconcessão em Teresina (PI).

A espanhola Acciona também tem interesse no país. “O Brasil atrai profundamente, é a terceira maior democracia urbana, com perdas acima de R$ 10 bilhões por ano na rede de distribuição de água, o que cria grandes oportunidades”, destaca o presidente, André Clark. Quem também está de olho em concessões e PPPs é a francesa Suez, que chegou a analisar a aquisição da CAB Ambienta l, cujo acionista majoritário, o Grupo Galvão, ingressou em recuperação judicial após envolvimento na Lava­Jato.

A empresa está olhando oportunidades de aquisição de ativos menores e participação em PMIs que podem resultar em concessões em São Paulo e Santa Catarina, com foco em municípios de 50 mil a 100 mil habitantes. A PPP que a Sabesp poderá fazer de tratamento de lodo, que também pode ser reaproveitado para produção de biogás, é outra área que interessa. “As grandes cidades como São Paulo têm cada vez menos espaço para aterros e isso pode se tornar uma receita adicional das concessionárias”, diz o presidente, Gabriel Toffani.

A Suez também está de olho em contratos de desempenho em que a empresa é contratada por uma concessionária para mapear a rede de distribuição de água e reduzir perdas. O pagamento é feito com a receita adicional obtida com as melhorias adotadas. Em cenário de crise fiscal, esse nicho pode ter acréscimo importante. A empresa tem contratos com a Sabesp e a Compesa, concessionária de Pernambuco. Já apresentou soluções para a Sanepar, Cedae, Caesb.

Em 2016, o grupo espanhol GS Inima fechou a aquisição da concessão de água e esgoto da cidade de Araçatuba, interior de São Paulo, da OAS Soluções Ambientais, que integra um grupo de empresas que estão sendo vendidas no processo de recuperação judicial do Grupo OAS. Na mira da empresa agora estão PPPs e concessões. “A crise hídrica e a Lava­Jato permitiram o ingresso no Brasil”, diz o diretor comercial, Giuliano Dragone. A empresa atende 1,5 milhão de consumidores no Sudeste e Nordeste.

A Barbosa Melo é outra empresa que está atenta para ampliar sua presença no segmento, com foco em municípios com mais de 45 mil habitantes. Também interessa às empresas a chamada pública do BNDES que pretende criar modelagem econômico­financeira para 17 Estados atraírem a iniciativa privada em projetos, que pode demandar mais de R$ 15 bilhões em investimentos.

O avanço de novas empresas deve ter impacto sobre o mercado de capitais no médio e longo prazos. A Aegea, cujos acionistas são Equipav, IFC e GIC (fundo soberano de Cingapura), obteve registro de companhia aberta em 2014, com lançamento de R$ 300 milhões de debêntures. Nos próximos meses, a empresa poderá lançar a primeira debênture de infraestrutura de uma concessionária privada da área. “O setor pode ter no médio e longo prazos concessionárias privadas de água e esgoto listadas em bolsa de valores com ações negociadas com a chegada de novos investidores e a demanda que atrai investidores”, aponta o diretor financeiro da Aegea, Flavio Crivellari.

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