Saneamento: O futuro já chegou

Saneamento: O futuro já chegou

* Giuliano Dragone

Cenas de escassez de água vividas pela população no ano passado ainda estão vivas em nossa memória. Bastou uma década de planejamento inadequado, falta de investimento e renovação tecnológica para que o Brasil deixasse de ser uma potência hídrica para se tornar, da noite para o dia, um país em que a flagelo da seca se tornou uma realidade, inclusive nas regiões mais desenvolvidas.

A exemplo do SINDCON, quem acompanha de perto a atividade de prestar serviços públicos de água e esgoto sabe que a questão da água é muito mais complexa do que parece. A imagem de paraíso que concentra 12% das reservas de água doce do planeta não se sustenta à medida que não gerenciamos de maneira eficaz esse manancial. Ou pior, dilapidamos esses recursos ao não tratar o esgoto que contamina nossos mananciais (menos da metade da população brasileira é atendida com o serviço de coleta de esgotos e, deste montante coletado, apenas 37,5% recebe algum tipo de tratamento).

No início desta década, o atlas da ANA – Agência Nacional de Águas já sinalizava que, para não enfrentar uma crise hídrica em 2015, mais da metade dos municípios (55%), que respondem por 73% da demanda de água do país, deveriam fazer investimentos totais em torno de R$ 22,2 bilhões ao ano. Os anos se passaram e o investimento geral do Brasil (incluindo todos os municípios da Federação) nunca conseguiu ultrapassar a metade dessa previsão, girando em torno dos R$ 10 bilhões/ano. Com isso, o futuro sombrio e árido do saneamento chegou – e mais depressa do que esperávamos.

Para que esse quadro não perdure em um novo futuro, não bastam, porém, apenas investimento em obras e projetos. É preciso investir em educação. Em recente workshop interno do sistema ABCON/SINDCON, defendemos a ideia de que o tema “uso racional da água” seja incorporado à grade obrigatória do currículo escolar de primeiro e segundo graus. Além disso, é imprescindível investir em comunicação, criando e mantendo campanhas institucionais permanentes de conscientização sobre o custo de produção da água e seu valor agregado.

Uma política pública realmente comprometida com o futuro do saneamento deve incentivar, de um lado, a educação ambiental, e de outro a promoção das parcerias público-privado para garantir os investimentos necessários para o desenvolvimento do setor.

Giuliano Dragone é presidente do SINDCON (Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto)

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