ÁREA DO ASSOCIADO

  • Login
  • 7º ENA debate assuntos técnicos que impactam diretamente na operação das concessionárias

    10/08/2018

    Eficiência energética, inovação, economia circular, uso do lodo para fins agrícolas e segurança hídrica foram temas de destaque na programação

    Abordar questões que impactam diretamente na operação das concessionárias privadas de água e esgoto no Brasil, e provocar discussões e reflexões sobre como melhorar a gestão e a eficiência na prestação de serviço, dentro de um cenário de inovação e novas tendências de mercado. Com essa proposta, o SINDCON cumpriu um papel importante no espaço dedicado a assuntos técnicos e operacionais durante o 7º Encontro Nacional das Águas (ENA), que ocorreu em São Paulo, na quarta-feira (08.08). Ao todo, foram seis painéis que debateram eficiência energética e operacional, economia circular, resíduos e segurança hídrica, entre outros. A coordenação dessa seção do 7º ENA esteve sob a coordenação de Eduardo Berrettini (GS Inima Brasil) e Rodrigo Alves dos Santos Pereira (Grupo Águas do Brasil).

    Dedicado à eficiência energética no saneamento, o primeiro painel teve início com a palestra de Marcos Antonio Danella (Linedata Sistemas e Geoprocessamento), que reforçou a ideia de redução energética na operação de distribuição de água por meio da integração de sistemas e do uso de indicadores confiáveis para ganho de rendimento operacional.

    Em seguida, Antonio Carlos dos Santos (Cia. de Saneamento Jundiaí) exemplificou o ganho de escala que a ETE Jundiaí, em SP, teve com a implantação de novas práticas, como a redução de quase 11% no consumo de energia entre 2016 e 2017. O executivo destacou que o mercado hoje necessita “melhorar o rendimento com o mínimo de desperdício”. Por fim, Wagner Rosa Santos (Comasa) apresentou as ações operacionais na Água de Santa Rita, em SP, que como resultado obteve uma redução no custo médio por metro cúbico, passando de R$ 0,20, em 2016, para R$ 0,14 após serem realizadas as mudanças estratégicas.

    Com foco na operação, Natália Marques Teixeira (Aegea) iniciou o segundo painel abordando estratégias que a empresa adota na ETE Búzios, no RJ. Utilizando a mesma estrutura, a concessionária estabelece o mesmo nível de tratamento de esgoto tanto na baixa temporada, quando a cidade mantém a sua população na casa dos 400 mil habitantes, quanto na alta temporada, quando o município pode atingir até dois milhões de pessoas.

    Sobre as novas tecnologias para melhorar a performance, Andre Lermontov (Grupo Águas do Brasil) deu destaque às ETEs horizontalizadas, que podem reduzir em até 86% o espaço de área construída para tratamento de esgoto. No encerramento do painel, Marcelo Miki (Sabesp) fez uma importante provocação: “Quais são as premissas do tratamento de esgoto?”. Ele destacou uma mudança de pensamento: “Precisamos mudar o conceito de Estação de Tratamento de Esgoto para Estação de Recuperação de Recursos”, disse.

    O terceiro painel procurou identificar as ações de inovação e de novas tendências no saneamento, como a inclusão de startups como potenciais prestadores de serviço para auxiliar na operação das concessionárias. Péricles Weber (Iguá Saneamento) apresentou o projeto Igua Lab, que selecionou empresas da nova economia para atuar junto à concessionária em diversas frentes dentro do escopo da operação.

    Amparado ao conceito de smart cities e na coleta de dados dos consumidores para melhorar a eficiência operacional das concessionárias, Flavio Lemos (Suez Brasil) destacou o impacto positivo que a digitalização pode oferecer ao mercado de saneamento brasileiro. Ao final, Giancarlo Ronconi (BRK ambiental) deu ênfase à tecnologia Nereda e aos ganhos que o tratamento da biomassa granular aeróbica garante em todo o processo, destacando como case prático a ETE Deodoro, no RJ.

    Conceito que apareceu na China, a economia circular foi tema do quarto painel durante o ENA 2018. Para ser aplicado ao saneamento, o professor José Henrique de Faria (Universidade Federal do Paraná – UFPR) mencionou que, hoje, a nova forma de pensar das empresas deve dar prioridade ao “máximo aproveitamento do insumo” e ao ciclo de desenvolvimento contínuo que preserva e aprimora os recursos naturais e otimiza o ciclo produtivo. Corroborando com o mesmo pensamento, Fl’avio Lemos (Suez Brasil) exemplificou na prática como a teoria da economia circular está sendo desenvolvida com sucesso na empresa Aguas Andinas, no Chile.

    Tema de grande discussão no mercado de saneamento, a utilização do lodo de esgoto na agricultura ganhou destaque no quinto painel. “O primeiro problema é que a gente não sabe o quanto geramos de lodo no Brasil”, disse Simone Bittencourt (Sanepar), que discorreu sobre as implicações da Resolução CONAMA (RC) nº 375/2006 e o processo de revisão do texto da regulamentação que está trâmite em Brasília. Ainda sobre a questão, Fernando Carvalho de Oliveira (Tera Ambiental) destacou as ações de reciclagem do lodo, “do resíduo ao produto”, que a empresa mantém nas cidades paulistas de Jundiaí, Matão e Botucatu.

    Grande assunto dos últimos anos, a segurança hídrica encerrou as atividades da sala sobre assuntos técnicos e operacionais no ENA no sexto painel. Helena Kubler (CH2M) abordou a proposta para a implantação do Plano de Ação para Instituir uma Política de Reuso no Brasil, junto ao Ministério das Cidades, que mapeou 29 ações e metas, como a utilização de 10m³/s de água de reuso no país até o ano de 2030. A executiva também destacou que o potencial do Brasil para o reúso de água pode chegar a 175m³/s.

    Na sequência, Eduardo Berrettini, de forma didática, mencionou sobre o projeto de dessalinização de água no litoral cearense para abastecer a região metropolitana de Fortaleza. Proposto pelo grupo GS Inima, em parceria com a Cagece, que no momento analisa a viabilidade do plano, a operação prevê uma estação com planta capaz de produzir 1m³/s de água dessalinizada. Encerrando os trabalhos, Sirlei Cristina Brignol (Sesamm) revelou alguns resultados operacionais da ETE Mogi Mirim, em SP. Atualmente, a estação de tratamento de esgoto tem 83% do seu consumo de água proveniente do reúso.

    Compartilhe:
    Translate »