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  • Coleta de esgoto só alcança 52% da população brasileira

    20/04/2018

    Jacaré em rio perto de um monte de lixo, na Cidade de Deus, no Rio, é o retrato da falta de saneamento no Brasil, onde 48% da população ainda não têm coleta de esgoto. Quase metade da população brasileira ainda não tem acesso a coleta de esgoto e pelo menos 35 milhões não são abastecidos com água potável. Os dados, divulgados ontem pelo Instituto Trata Brasil, mostram um cenário estagnado no setor de saneamento básico que sofreu, nos últimos anos, uma redução de R$ 1,75 bilhão nos investimentos feitos pelo governo federal.

    O estudo foi feito com base em dados de 2016 do Sistema Nacional de Informação sobre Saneamento. Os números apontam que o compromisso assinado pelo Brasil em 2015, junto à Organização das Nações Unidas (ONU), para garantir acesso universal a água tratada até 2030 ficou ainda mais distante. Segundo a pesquisa, dentre os indicadores, o de tratamento de esgoto é o que está mais longe da universalização.

    As alterações foram pouco significativas em indicadores como população total com água tratada e coleta de esgoto. Em 2011, 82,4% da população tinha acesso a água potável. Em cinco anos, esse número cresceu apenas 0,9%.

    A melhora na coleta de esgoto foi um pouco maior, mas ainda longe do necessário: em 2011, 48,1% da população tinha direito a alguma forma de tratamento dos rejeitos, número que em 2016 subiu para 51,9%. Segundo o Trata Brasil, 5,2 trilhões de litros de esgoto deixam de ser tratados por ano.

    Já os investimentos no setor, entre 2015 e 2016, diminuíram de R$ 13,26 bilhões para R$ 11,51 bilhões.

    O principal déficit no tratamento de esgoto está em cidades da Região Norte, que tem sete dos dez piores municípios no ranking desse quesito.

    O pior índice de coleta de rejeitos é encontrado em Ananindeua, no Pará: 0,75%. Dos 516 mil habitantes da cidade, aproximadamente 3 mil têm esse tipo de serviço prestado em suas casas. Na mesma cidade, sete a cada dez pessoas não têm acesso a água tratada.

    Entre todos as cidades da pesquisa, dos dez melhores municípios no tratamento de esgoto, todos estão na Região Sul ou na Região Sudeste, nove deles apenas nos estados de São Paulo e Paraná.

    Desigualdade se repete nas capitais

    Também nas capitais se repete o cenário de desigualdade regional. Apesar de 19 capitais alcançarem índices maiores que 90% no acesso a água tratada, há três capitais na Região Norte com indicadores próximos ou abaixo dos 50%: Porto Velho, Macapá e Rio Branco.

    A situação na capital do Acre é ainda mais preocupante. Entre 2012 e 2016, a cidade teve uma redução de 34% no atendimento de água potável aos seus cidadãos.

    Em relação ao tratamento de esgoto, quatro capitais na Região Norte têm menos de 20% de seus rejeitos tratados: novamente Porto Velho e Macapá, mas dessa vez acompanhadas de Manaus e Belém. Em Manaus, houve uma queda de 14% no tratamento de esgoto entre 2012 e 2016, segundo o Trata Brasil.

    Nesse indicador, apenas quatro capitais brasileiras estão próximas da universalização do tratamento de esgoto: Curitiba, Salvador, Brasília e Maceió.

    De acordo com o presidente do instituto, Édison Carlos, uma das preocupações do setor é exatamente a paralisação de investimentos nas cidades que mais necessitam de melhorias:

    – As melhores cidades seguem avançando, e nelas acontece a concentração dos maiores investimentos. O natural seria que as piores cidades estivessem investindo mais. Esse fenômeno separa ainda mais o Brasil em poucas cidades caminhando para a universalização e muitas paralisadas.

    Fonte: O Globo

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