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  • Crise na Cedae expõe falta de investimento

    17/01/2020

    Nova estação exigirá gasto de R$ 1,5 bi

    No momento em que os executivos da Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro (Cedae) têm nas mãos um modelo desenhado junto ao BNDES para repassar parcela considerável de seus serviços à iniciativa privada e o governo estadual vislumbra privatização no médio prazo, a empresa enfrenta uma crise que expôs as fragilidades de seu maior sistema de distribuição, o Guandu.

    Há 13 dias entregando água com odor e gosto de terra, à vezes turva, para municípios da região metropolitana do Rio, apenas ontem a Cedae anunciou medidas para restabelecer a qualidade. A empresa comprou um silo para aplicação de carvão ativo na água, o que vai reduzir a concentração da substância geosmina – produto da proliferação de algas na presença de matéria orgânica e temperaturas elevadas. A situação nos reservatórios deve se normalizar na semana que vem, mas a melhora da água na casa dos usuários tende a demorar mais.

    “Se já tivéssemos o equipamento, não passaríamos por esse problema”, disse o presidente da companhia, Hélio Cabral, depois de pedir desculpas à população. Ele definiu o custo da melhoria contínua como “baixo”: R$ 2 milhões por mês. Noutros momentos da entrevista, comparou o episódio ao furar do pneu de um carro que não conta com macaco hidráulico para auxiliar no conserto e lamentou o estado das instalações do sistema Guandu.

    Em dezembro, em evento do BNDES no qual apresentou o plano de subconcessão dos serviços de distribuição de água e de esgoto em quatro blocos geográficos, Cabral já tinha citado perdas do sistema de distribuição (29,4%), a taxa de inadimplência dos consumidores acima dos 30% e a falta de recursos para investir. Além de ganhos de eficiência, o BNDES projeta que os concessionários deverão investir R$ 32,6 bilhões nos sistemas hoje operados pela Cedae ao longo de 35 anos.

    Como o modelo de subconcessão não inclui captação e tratamento da água (a Cedae revenderá a água para as empresas), o plano é investir desde já na modernização dessa atividade. Cabral detalhou o programa de investimentos no sistema Guandu, de R$ 713,2 milhões a serem desembolsados até 2022 para a renovação do sistema elétrico, compra de filtros e válvulas e automação da aplicação de produtos químicos.

    Mesmo diante das restrições – a Cedae tem receita operacional próxima de R$ 5 bilhões -, o governo do Rio quer modernizar o sistema Guandu e concluir uma nova estação que vai exigir R$ 1,5 bilhão. A ideia é valorizar a empresa para eventual privatização.

    Fonte: Valor Econômico

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