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Falta de água e saneamento afeta milhões no mundo

07/02/2018

Alcançar acesso sustentável Objetivo de Desenvolvimento (ODS) para água e saneamento administrada com segurança em 2030 vai exigir que os países apliquem US$ 150 bilhões por ano. Isto significa quadruplicar investimento em abastecimento de água, saneamento e higiene em relação ao que é gasto hoje, fato que está além do alcance de muitos países e ameaça o progresso na erradicação da pobreza.

Um Relatório do Banco Mundial divulgado para a imprensa na última Semana Mundial da Água (2017), intitulado “Reduzir as desigualdades no abastecimento de água,saneamento e higiene na Era dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável” (Reducing Inequalities in Water Supply, Sanitation, and Hygiene in the Era of the Sustainable Development Goals) sugere que os países precisam mudar drasticamente o modo como geram os recursos e fornecer serviços essenciais. Ele enfatiza nos detalhes começando com a melhoria dos sistemas de alocação para garantir que eles atinjam o máximo nas necessidades básicas, e para tratar as ineficiências de modo a garantir que os serviços públicos sejam sustentáveis e eficazes.

Em adição, o Relatório observa que as intervenções de água, saúde e nutrição devem ser coordenadas para alcançar progressos substanciais na luta contra a desnutrição crónica e a mortalidade infantil. Se o progresso na água e no saneamentorepresenta uma melhoria no bem-estar das crianças, os efeitos sobre o seu futuro são ainda maiores quando combinado com intervenções de saúde e nutrição.

“Hoje, milhões de pessoas estão presas na pobreza por falta de fornecimento de água e falta de saneamento, contribuindo para o atraso do crescimento e da existência de doenças infantis graves, como diarreia. A fim de dar a todos a mesma oportunidade de atingir seu pleno potencial, são necessários mais recursos de água e saneamentodirecionados para as áreas pobres de alta vulnerabilidade e de acesso limitado, reduzindo dessa forma as diferencias e assim gerando melhorias. O Relatório fornece um roteiro para superar essas lacunas”, disse Guangzhe Chen, Diretor de Práticas Globais sobre Água do Banco Mundial.

A pesquisa fornece indicadores de análise abrangentes sobre o estado dos serviços hídricos e do saneamento nos 18 países abrangidos e, pela primeira vez, identifica regiões geográficas específicas dentro dos países com abastecimento de água,saneamento e serviços de higiene inadequados, também destaca as grandes disparidades de fornecimento desses serviços entre as áreas rurais e urbanas e áreas pobres e não-pobres.

A pesquisa revelou um contraste particularmente acentuado entre as áreas urbanas e rurais. Nos 18 países pesquisados, 75% das pessoas que vivem em áreas rurais não têm um bom saneamento e apenas 20% dessa população têm acesso à água de qualidade. O Relatório fornece aos decisores políticos linhas de base e conselhos sobre a melhor maneira de orientar osinvestimentos para garantir que os serviços básicos atinjam as comunidades e as famílias mais pobres.

As equipes de pesquisa têm recolhido, ao longo de dois anos, os dados sobre o acesso a água, saneamento e higiene, e sua qualidade, nos seguintes países:

– Na Nigéria, mais de 60% da população rural vive a mais de 30 minutos de distância de uma fonte de água que funcione corretamente.

– Na Indonésia, somente são tratados e eliminados de forma segura 5% das águas residuais urbanas; fora disso, as crianças durante os primeiros 1000 dias de vida residem em comunidades em que se defeca ao ar livre. Eles têm 11 pontos percentuais a mais do que a média de sofrerem nanismo.

– No Bangladesh, foi detectada a presença de bactérias E. coli em aproximadamente 80% das torneiras da amostra, extraiu-se semelhante taxa na água da lagoa.

– No Equador, 24% da população rural bebe água contaminada, 21% das crianças são raquíticas e 18% tem um peso abaixo do normal.

– No Haiti, o acesso a fontes adequadas de água potável tem diminuído ao longo dos últimos 25 anos; o acesso a saneamentoadequado é limitado a 33%, e o número de famílias com acesso a habitações com água de qualidade diminuiu de 15% para 7%.

“Os serviços de água e saneamento tem que melhorar drasticamente, ou as consequências para a saúde e o bem-estar serão graves. Hoje, a diarreia é a segunda causa principal de morte em crianças menores de 5 anos. As crianças pobres também sofrem de doenças intestinais, juntamente com desnutrição e infecções contribuem para atrasar o seu crescimento. Estão colocando em risco o futuro dos nossos filhos e seu potencial está sendo prejudicado por irregularidades ou desequilíbrios nos acessos aos serviços que eles precisam para prosperar”, diz Rachid Benmessaoud, Diretor responsável pelas operações na Nigéria.

O Relatório destaca que, em muitos países, os serviços não chegam aos pobres por causa do mau desempenho e de políticas ruins, e são as crianças as que sofrem as consequências. Também fornece uma nova perspectiva sobre a complexidade da razões de porquê os serviços falham e como o aprofundamento das melhorias devem abordar uma política de governo e em geral a melhoria dos prestadores de serviços.

O Relatório envolveu fabricantes, profissionais e representantes da área política, mas só agora teve uma divulgação maciça. Essa pesquisa faz parte da iniciativa em curso da avaliação da pobreza por parte do Banco Mundial em relação a abastecimento de água,saneamento e higiene, que consiste em 18 Relatórios a serem lançados ainda em 2018.

Fonte: Revista ECO21

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