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  • Simulação de dragagem será o primeiro cenário analisado no estudo sobre a Lagoa de Araruama

    09/05/2019

    O pedido foi feito por agentes públicos, durante visita à Coppe/UFRJ, nesta semana, para acompanhar o projeto contratado pela Prolagos

    Dragagem para remoção de bancos de areia. Esta será a primeira opção a ser analisada no estudo de hidrodinâmica da Lagoa de Araruama, contratado pela Prolagos e realizado pela Coppe/UFRJ, em parceria com a UFF. O pedido foi feito por representantes de secretarias de meio ambiente dos municípios atendidos pela concessionária, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), do Consórcio Intermunicipal Lagos São João e do Comitê de Bacias durante visita as universidades.

    Esse também é o anseio da comunidade pesqueira e atende à urgência para o início da intervenção, pois a licença ambiental para a dragagem já foi liberada e a execução acontecerá com recursos do Governo Estadual. A simulação de dragagem é um dos quatro cenários previamente listados no plano de trabalho estabelecido entre a concessionária e a Coppe/UFRJ. Com o pedido, no entanto, a análise será antecipada e o resultado de como a laguna responderá a essa possível ação sairá nos próximos meses. Em abril, pescadores e moradores da Praia do Siqueira também estiveram na UFRJ para conhecer o estudo e apresentar sugestões.

    “Este é um trabalho dinâmico e a participação da sociedade é fundamental para o sucesso dessa iniciativa. Para isso estamos promovendo encontros com os pesquisadores para que todos contribuam. As prefeituras terão acesso ao relatório final e poderão definir suas ações com garantia de maior efetividade”, comentou o diretor presidente da Prolagos, Sérgio Braga, que acompanhou a comitiva.

    A visita começou pelo Instituto de Geociências da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, onde o grupo esteve no laboratório e viu como são feitas as análises químicas de amostras coletadas na laguna. “É importante que as pessoas conheçam de perto cada etapa do processo e o cuidado que temos com a análise dos dados, para que tenham confiança no trabalho desenvolvido pela universidade”, comentou o professor Julio Wasserman, coordenador adjunto do projeto.

    Em seguida, os agentes públicos estiveram na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde acompanharam a apresentação dos professores Otávio Pecly e Paulo Rosman, coordenador geral do estudo de hidrodinâmica. Os pesquisadores explicaram como a Lagoa de Araruama é reproduzida digitalmente para permitir as simulações, esclareceram dúvidas e receberam sugestões. O professor Rosman destacou a importância da participação dos gestores públicos, em especial do corpo técnico. “O intercâmbio entre a universidade, os órgãos públicos técnicos e a Prolagos, é uma excelente oportunidade, inclusive, é o que deveria ser feito em todas as bacias hidrográficas para encontrar a melhor forma de gestão ambiental. Quanto mais reuniões como esta, que é uma oportunidade para disseminar informações e esclarecer dúvidas, mais uns ajudam aos outros nas devidas competências para encontrar o melhor caminho para a solução dos problemas”, disse.

    O chefe de licenciamento do Inea – Superintendência Lagos São João, Carlos Henrique Teles Tibao, considera o estudo uma ferramenta valorosa para a melhor gestão dos recursos e das ações no entorno da laguna. “O Inea tem acompanhado este estudo desde o início e olhamos com bons olhos a atuação da academia junto à sociedade civil e órgãos ambientais. Vamos trabalhar com metodologia científica, com uma técnica em que possamos prever alguns impactos e tomar a decisão considerando os melhores resultados”.

    Para o biólogo Leandro Coutinho, presidente do Comitê de Bacias Lagos São João, um dos principais pontos fortes deste projeto é o compartilhamento do conhecimento. “Foi muito gratificante acompanhar tudo o que está sendo desenvolvido e ver, de perto, que algumas ações levantadas pela comunidade pesqueira também estão sendo consideradas pelos pesquisadores. Por isso, encaminharemos os pontos para desassoreamento apontados pelos pescadores, para que sejam inseridos na simulação. Além disso, estamos debatendo no Comitê diversas ações para a lagoa e este estudo vai contribuir para sabermos onde os recursos serão melhor alocados”, reforçou.

    Para o secretário de Meio Ambiente de Cabo Frio, Mario Flavio Moreira, este projeto representa importante momento para a gestão ambiental da laguna. “Há quase 20 anos, a lagoa estava num processo de produção de algas, totalmente eutrofizada. Não tinha mais como esperar que se aplicasse o que o contrato de esgoto preconizava, que era implantar a rede separativa, que ia demorar muito tempo. Houve então, um choque de ordem na questão do esgoto na lagoa, que foi o tempo seco. Há um consenso de que avançou muito, querendo ou não, hoje de 70% a 80% em tempo seco estão sendo captados. Já temos os cinturões, o tronco coletor e agora temos que avançar nas redes separativas e numa dragagem mais cirúrgica, mais técnica. Nós já fizemos outras dragagens, mas sempre intervenções pontuais. Nunca tivemos a oportunidade de ver a sinergia da lagoa como um todo. E esse modelo possibilita isso. A modelagem vai permitir que todo o achismo ou sabedoria popular, aliado à técnica, se torne realidade, contribuindo para a otimização de recursos e tempo”, finaliza Mário Flávio.

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