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  • Veolia prepara volta ao Brasil com aquisição de ativos

    14/03/2018

    Após uma malsucedida experiência como sócia minoritária na Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), a francesa Veolia planeja para 2019 sua volta ao saneamento. O foco será no Sul e Sudeste, com preferência pela aquisição de ativo já existente, diz Yves Besse, diretor-geral de projetos para América Latina da Veolia Water Technologies.

    “Como neste ano tem eleição, é um período difícil de concretizar negócios, estamos nos preparando para poder ter um desenvolvimento mais forte a partir de 2019”, afirma o executivo.

    Fornecedora de soluções para gestão de água, resíduos e energia, a Veolia tem como clientes municípios e indústrias. Durante a recessão, com a piora da situação fiscal na esfera pública, a companhia não fechou novos contratos para gestão de aterros sanitários. No segmento corporativo, houve uma queda de faturamento da ordem de 50% em quatro anos.

    O país, que respondia por 80% do negócio latino-americano de tecnologia da água, passou a representar um terço do total, com Argentina e Chile assumindo fatias iguais. Tendo chegado a empregar mais de 300 pessoas em obras ao mesmo tempo, a divisão tem hoje cerca de 50 pessoas.

    “Aproveitamos a crise para reestruturar a empresa, com a fusão de algumas áreas, preparando a companhia para a retomada. O ciclo da recessão está se encerrando e vamos retomar o crescimento”, diz Besse. Segundo ele, o volume de projetos para este ano, ainda não concretizados, é o dobro de 2017. A expectativa é de sucesso em 20% a 25% dos novos prospectos.

    Com isso, a perspectiva este ano é de manutenção do faturamento de cerca de € 50 milhões (R$ 200 milhões) de 2017, interrompendo a queda de 2014 ao ano passado, com a obtenção de novos contratos para retomar o crescimento em 2019. Além dos efluentes industriais, a empresa trabalha para retomar a prestação de serviços de água e esgoto para o setor público.

    Besse avalia que o setor evoluiu nos últimos anos, com a aprovação do marco regulatório do saneamento em 2007, mas acredita que ainda há grande dificuldade de implementação das diretivas nele contidas. “O setor privado avançou bastante [na área de saneamento], hoje entre 5% e 10% da população brasileira é atendida por empresas privadas, mas o avanço é muito lento, devido ao corporativismo das empresas públicas, que sofrem ingerência política”, diz.

    O executivo lembra que, na década de 1990, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, foi feito um plano para a privatização das empresas públicas de água e esgoto que fracassou. “Na época, nós do setor aprendemos que a saída não é por aí”, afirma.

    Assim, a nova tentativa de privatização de empresas públicas como a carioca Cedae, como parte do programa de renegociação de dívidas dos Estados, é visto com reservas pelo diretor. “Estão repetindo os mesmos erros de 20 anos atrás, não é um programa de saneamento, mas de negociação de dívidas entre governo e Estados, por isso não vai dar certo nunca”, diz. “No setor, isso nos deixa muito desanimados, pois não há aprendizado.”

    Ao planejar sua volta, a Veolia tem motivos para querer que problemas do passado não se repitam. Em 1998, o grupo liderou consórcio que arrematou em leilão cerca de 40% da Sanepar, em parceria com Andrade Gutierrez, Banco Opportunity e Copel Participações. Em 2003, porém, com a eleição de Roberto Requião (MDB) ao governo do Estado, teve início uma batalha judicial entre controlador e minoritários que levou à saída da Veolia da empresa. “A experiência foi muito negativa”, lembra Besse.

    Olhando à frente, o executivo avalia que, passada a incerteza eleitoral, a dificuldade fiscal de Estados e municípios poderá criar oportunidades para os investidores privados. “Essa situação favorece a busca de soluções que passam pela iniciativa privada, como concessões e PPPs [parceiras público-privadas], por exemplo”, avalia. Para Besse, o problema do setor de saneamento não é falta de recursos. “Há dinheiro sobrando no FGTS que só pode ser usado para habitação e saneamento, o problema é de vontade política”, diz.

    Com ações negociadas na bolsa de Paris, a Veolia fechou 2017 com receita de € 25,1 bilhões, alta de 3,9% sobre 2016. O lucro líquido cresceu 4,8%, a € 401,6 milhões.

    Fonte: Por Thais Carrança, Jornal Valor Econômico

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