ÁREA DO ASSOCIADO

Perda de operadoras com desperdício é de R$ 8 bi

01/06/2017

Redução de perdas

Adotar novas tecnologias para a redução de perdas na distribuição de água tem sido prioridade crescente para as empresas públicas e privadas de saneamento no Brasil. Em torno de 37% da água tratada se perdem por motivos diversos que incluem vazamentos, ligações clandestinas, ausência de medição e medições incorretas, segundo o Ministério das Cidades. Esse desperdício equivale a R$ 8 bilhões a menos na receita anual das operadoras, estima o Instituto Trata Brasil. As iniciativas para enfrentar o problema abrangem desde inovações de ponta como softwares de inteligência artificial e centros informatizados de controle até ações mais simples como atualização cadastral e atendimento setorizado.

A falta de regulação padronizada e de tratamento isonômico entre as operadoras levou a um descompasso na adoção de tecnologias para o controle de perdas, avalia o presidente do Sindicato Nacional das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Sindcon), Alexandre Lopes. Hoje, o setor privado atende 6% dos municípios do país e investe 20% dos recursos, em torno de R$ 2,4 bilhões anuais. A maioria dos contratos de concessão inclui metas de redução de perdas. “À medida que as condições de acesso melhoram, aumenta a prioridade na qualidade do abastecimento”, diz Lopes. Ele vê a busca de eficiência energética como grande tendência para os próximos anos.

Em São Paulo, a Sabesp informa ter investido R$ 11,9 milhões em P&D em 2016, quase quatro vezes o valor aplicado em 2011. “Focamos na melhoria de eficiência nos processos e produtos”, diz a gerente do departamento de prospecção tecnológica e propriedade intelectual, Fabiana Rorato. Ela destaca a relevância das parcerias com instituições de pesquisa e empresas privadas, para induzir o mercado a fabricar equipamentos que atendam as necessidades da companhia. Um acordo de cooperação de R$ 50 milhões até 2029 com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) já resultou em 17 projetos. Outro com a Agência Brasileira de Inovação (Finep) prevê investimento de R$ 60 milhões até 2018 em um plano de inovações tecnológicas.

Entre os projetos da Sabesp está o geofone, desenvolvido com a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP). O aparelho amplifica o som do subsolo e marca a coordenada geográfica do vazamento. Com apoio da Finep, a empresa também criou uma solução para eliminar o mau cheiro do esgoto nas estações de bombeamento e tratamento, usando contêineres com casca de coco, brita e turfa.

No Estado do Rio de Janeiro, a Prolagos, do grupo Aegea, utiliza desde 2014 uma tecnologia de inteligência artificial para melhorar o abastecimento dos cinco municípios que atende na Região dos Lagos Arraial do Cabo, Cabo Frio, Búzios, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia. Juntos eles somam 450 mil habitantes, mas no verão esse número salta para dois milhões. “Instalamos um contador de veículos em cada uma das quatro entradas principais”, conta o presidente da companhia, Carlos Roma Júnior. “As informações nos permitem fazer uma previsão de demanda bem mais próxima da realidade”. O software Leaf, que faz a gestão automatizada do sistema, “aprende” com o uso, melhorando o desempenho à medida que é alimentado por mais dados.

A concessionária Águas de Niterói, que opera no município fluminense desde 1999, conseguiu reduzir o índice de perdas de água de 40% para 16% com a implantação de um Centro de Controle Operacional (CCO) que gerencia automaticamente a distribuição. A empresa passou abastecer mais 150 mil pessoas com a mesma quantidade de água. Os ganhos em receita e em redução de custos possibilitaram universalizar os serviços de água (100%), bem como a coleta e tratamento de esgotos (94%), sem aporte de dinheiro público. “Investimos, à moeda de hoje, cerca de R$ 1 bilhão para que Niterói se transformasse em uma referência nacional em saneamento básico, mantendo o melhor IDH [Índice de Desenvolvimento Humano] do Estado”, diz o diretor de Planejamento do Grupo Águas do Brasil, Carlos Henrique da Cruz Lima.

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