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  • Edição 13

    ANO V - DEZ/2018 A MAR/2019

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    Tecnologia

    Dessalinização avança no Brasil

    em 19 de Dezembro de 2018

    Dessalinizadora Mostaganem, da GS Inima, na Argélia

    Vista durante muito tempo como uma tecnologia distante para as necessidades do Brasil, a dessalinização está chegando ao país e veio para ficar.

    As empresas privadas de saneamento são pioneiras na utilização dessa tecnologia como forma de comba-ter a escassez de água e promover a segurança hídrica.

    A dessalinização consiste basicamente em tornar a água do mar, que representa 97% da água existente no planeta, em insumo próprio para o consumo humano. A tecnologia utiliza processos físico-químicos que retiram da água marinha o excesso de sais minerais, impurezas e partículas sólidas, a fim de tornar a água potável e própria para o consumo humano.

    Estima-se que pelo menos 300 milhões de pessoas dependam hoje do abastecimento proporcionado pelas usinas de dessalinização espalhadas por todos os continentes. Regiões como o Oriente Médio, o norte da África e algumas ilhas do Caribe são hoje bastante dependentes dessas usinas. Em Israel, a maior parte da água potável consumida vem do mar.

    Para se tornar viável economicamente, a pesquisa sobre dessalinização focou na redução do custo com energia e na preocupação com o meio ambiente. A energia, por si só, pode representar até um terço do custo total de produção de água.

    Apesar de o Brasil possuir uma usina pioneira em Fernando de No-ronha, o primeiro grande projeto de dessalinização no país deverá ser implantado em Fortaleza. O governo do estado do Ceará, em projeto realizado em parceria com a iniciativa priva-da, pretende investir em uma usina de dessalinização de capacidade de 1 m³/s que possa abastecer 400 mil pessoas, ou aproximadamente 12% da população total da região metropolitana de Fortaleza.

    A solução é vista como necessária para evitar que a crise hídrica se aprofunde no Ceará. A água consumi-da em Fortaleza chega principalmente do açude do Castanhão, que fica a 280 quilômetros da cidade e está perdendo sua capacidade ano após ano, desde 2002, quando começou a operar. Nos últimos anos, tem opera-do com apenas 3% de sua capacidade.

    O projeto total da usina de dessalinização de Fortaleza está orça-do em aproximadamente R$ 500 milhões.

    Estudo de viabilidade já foi escolhido

    O Grupo GS Inima, em parceria com as empresas Teixeira Duarte e Fujita Engenharia, apresentou estudo, declarado vencedor para a construção, manutenção e operação da planta de dessalinização cearense.

    Especialista mundial em plantas dedicadas à dessalinização, o grupo GS Inima já executou vários projetos do gênero em diversos países. Na África, foi pioneira a implantar a primeira planta de dessalinização do mundo em 1968, no arquipélago do Cabo Verde. Outras iniciativas importantes realizadas pelo grupo estão na Espanha, Chile e Estados Unidos.

    No Brasil, o estudo vencedor da GS Inima considerou, entre outros aspectos, a melhor tecnologia de tratamento, a melhor localização e os menores custos de implantação (CAPEX) e operação.

    O método de dessalinização es-colhido foi o de osmose reversa, que consiste em forçar a passagem da água salgada por um sistema de membranas. Estas fibras contêm poros microscópicos, e todo o sal e impurezas presentes na água do mar ficam retidos nestes pequenos poros, tornando a água livre de sais e de impurezas. Outro ponto sensível foi a escolha do local que receberá a planta. Foram considerados fatores como a qualidade da água bruta a ser captada, o lançamento da salmoura resultante do processo de osmose reversa, o fornecimento de energia e a interligação com o sistema existente.

    Agora, a Cagece, companhia estadual de saneamento do Ceará, tem a responsabilidade de conduzir as próximas etapas do processo, lançando o edital que definirá a em-presa para executar a construção, manutenção e operação da usina na região metropolitana de Fortaleza.

    Estima-se que a usina possa começar a operar em 2020.

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