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  • Edição 06

    ANO III - AGO A NOV/2016

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    Tecnologia

    Energia que vale o investimento

    em 02 de Agosto de 2016

    O biogás resultante do tratamento de esgoto é uma fonte renovável de energia com grande potencial de aproveitamento. E as estações de tratamento de esgoto estão entre as fontes dessa energia ainda inexplorada. Segundo a Associação Brasileira de Biogás e de Biometano (ABiogás), considerando todas as possibilidades de produção, como o rejeito de aterros sanitários e o bagaço de cana-de- -açúcar, esse tipo de combustível poderia gerar até 115.000 gigawatt por hora, uma quantidade equivalente à energia gerada por uma Itaipu e meia.

    Pensando em desenvolver essa tecnologia entre seus associados, o SINDCON promoveu em julho um curso sobre o aproveitamento energético do biogás. Para a atividade, realizada na concessionária Ambient, em Ribeirão Preto, foi convidado o especialista brasileiro Fabio Chui Pressinotti. Ele vive na Alemanha, país em que, diferente do Brasil, o aproveitamento energético do biogás de digestores anaeróbios atingiu um alto grau de desenvolvimento tecnológico.

    Doutor em engenharia sanitária e mestre em engenharia ambiental pela Universidade de Stuttgart, Fabio está radicado na Europa há vários anos. Desde 2009, ele atua como gerente de projetos da empresa de consultoria Dahlem, na cidade de Darmstadt. Seu foco são os estudos e projetos de engenharia nas áreas de tratamento de esgoto, lodo, biogás e aproveitamento energético em ETEs da Alemanha e do Brasil.

    Durante o curso promovido pelo SINDCON, que durou dois dias e contou com a presença de 50 participantes, o especialista focalizou a otimização de ETEs com reatores anaeróbios para o tratamento de esgoto (tipo UASB) e de ETEs com digestores anaeróbios para o tratamento de lodo, ambas com o intuito de conseguir o aproveitamento energético (térmico ou elétrico) do biogás gerado ao longo dos processos.

    “O aproveitamento energético do biogás de reatores anaeróbios do tipo UASB é uma ideia antiga, mas até hoje pouco praticada no Brasil”, explica Fabio. Para ele, o retorno do investimento nessa tecnologia precisa ser avaliado sob vários ângulos. Na sua opinião, vantagens ambientais e financeiras, mesmo quando o retorno é mais demorado, já podem justificar um projeto de biogás. “Um pré-requisito é que o sistema seja viável técnica e economicamente e, muito importante, que o sistema de tratamento de esgoto atual não seja prejudicado. O objetivo de uma ETE é, em primeiro lugar, tratar esgoto”, acrescenta.

    Visita técnica dos participantes do curso na ETE de Ribeirão Preto.

    Entre as vantagens do aproveitamento energético do biogás, Fabio destaca a otimização de custos, por meio da autoprodução de energia elétrica e/ou diminuição do volume de lodo a ser disposto, e a diminuição de passivos ambientais (diminuição do uso de energia elétrica externa proveniente da matriz energética, diminuição de gases de efeito estufa e/ou diminuição do lodo produzido como resíduo sólido a ser disposto).

    O especialista ressalta, entre os pontos que podem ser considerados como desvantagens, o aumento de elementos eletromecânicos nas ETEs e de pontos de operação, além de maiores exigências de segurança (atenção a perigos de explosões e queima espontânea).

    No final das contas, para Fabio, os custos de investimento são totalmente amortecidos pelos benefícios gerados pela autoprodução de energia elétrica e/ou diminuição do volume de lodo produzido. Porém, ele alerta: “As ETEs precisam ter uma escala mínima para que o projeto seja economicamente vantajoso.”

    Fabio finaliza dizendo que, para que o potencial do biogás seja melhor aproveitado, o maior desafio é aumentar a qualidade dos sistemas de tratamento de esgoto existentes, a fim de evitar vazamentos do biogás e a entrada de ar nos reatores – o que origina perigo de explosão e corrosão – além de promover melhorias em aspectos de segurança.

    O curso sobre biogás do SINDCON aconteceu no auditório da concessionária Ambient, em Ribeirão Preto, onde os participantes foram recebidos pelo presidente do grupo GS Inima, Paulo Roberto de Oliveira. A ETE Ribeirão Preto, inclusive, é um bom exemplo da aplicação dessa tecnologia: desde 2011, a concessionária Ambient produz 60% da energia que consome na estação a partir do biogás, em uma contribuição valiosa para a sustentabilidade e o meio ambiente.

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