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  • Edição 05

    ANO III - ABR A JUL/2016

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    Com a palavra

    Nos bastidores da notícia

    em 08 de Abril de 2016

    Atual apresentador do Jornal da Globo e do programa Painel, na Globonews, William Waack demonstrou uma visão favorável e arrojada a respeito da cooperação das empresas privadas no saneamento brasileiro.

    Durante sua participação na plenária de abertura do 6º Encontro Nacional das Águas – ENA, em que abordou o tema “Cidades Saneadas – Uma realidade ao alcance do Brasil”, Waack fez algumas observações fundamentais e reveladoras sobre o presente e sobre o futuro do saneamento no Brasil.

    O jornalista, que antes de chegar à Rede Globo trabalhou em algumas das principais redações do país, como Jornal do Brasil, Jornal da Tarde, O Estado de S. Paulo, Veja e TV Cultura, mostrou que não tem medo de falar a verdade. Confira!

    Ao acompanhar o mundo político, qual a relação que você vê entre os políticos e o saneamento? Isso é mesmo prioridade?

    No ambiente político, claro que há exceções, mas temos como regra geral uma mentalidade que ainda não absorveu o ponto de vista da sociedade sobre a importância do saneamento. Boa parte dos políticos ainda enxerga o saneamento como se fosse um monte de tubos enterrados, que não lhes trará visibilidade e nem benefício rápido na próxima eleição. O saneamento faz parte de todo o debate político eleitoral, porém na prática essa prioridade não se desenvolve na mesma medida.

     

    No ENA, você afirmou que o Brasil está “caminhando para um caos fiscal”. Quais as consequências disso para o setor de saneamento?

    O país não tem dinheiro para pagar maternidade, hospital, escola, os atendimentos mais básicos aos cidadãos. Como é que vamos fazer saneamento num quadro desses? Eu diria que o saneamento está ali no topo entre os setores que mais estão sofrendo com o descaso daqueles que não têm qualquer tipo de preocupação com as finanças públicas.

     

    Muito também foi dito sobre os mitos que emperram a maior participação da iniciativa privada. Isso chamou sua atenção?

    Ouvi uma expressão em meio a uma frase dura: “mitos têm de cair por terra”. E têm mesmo. É preciso acabar com essa mentalidade de que o empresário é sempre um ser que pratica ‘rapina’; que, se ficou rico é porque alguém ficou pobre. Isso faz parte da equivocada mentalidade que trava qualquer tipo de compreensão entre parcerias públicas e privadas. A iniciativa privada é sempre incorretamente colocada na situação daquela que não quer outra coisa, da maneira mais rápida possível: se ‘apropriar’ do bem público. Isso não é verdade.

     

    Poderíamos dizer que, em parte, a expansão dos serviços privados tem sido vítima de populismo?

    Populismo irresponsável. Quando um ente público tenta impor uma tarifa abaixo da realidade para garantir votos, no futuro isso significa prejudicar os filhos, os netos dos próprios eleitores. Quando fazem isso com o saneamento, estão impondo falta de água potável e de esgoto tratado para as gerações futuras, porque ninguém vai investir sabendo de antemão que terá de trabalhar com uma ‘tarifa política’.

     

    Você entende que há normas demais para que a iniciativa privada possa cooperar? Ou há falta de regras para gerar segurança?

    As duas coisas. Pelo que ouvi dos especialistas no ENA, há aspectos prejudicados pelo excesso de regulação e há aspectos para os quais simplesmente ainda não existe regulação apropriada. Isso é um entrave formidável, sobretudo para as empresas privadas empenhadas em participar de concessões ou em investir num setor onde o grau de maturação dos investimentos acontece, obviamente, em um tempo muito mais longo que qualquer período eleitoral.

     

    Para finalizar, o que esperar para o segundo semestre? A situação vai melhorar?

    Preparem-se! Nós vamos passar por um período de turbulência política inédita, que particularmente creio que vai impedir qualquer discussão nacional abrangente, necessária e importante sobre, por exemplo, reforma previdenciária, reforma tributária e a própria reforma política desse sistema eleitoral que já se provou muito ruim para a nossa sociedade.

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