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  • Edição 09

    ANO III – ABRIL A JUNHO 2017

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    Tecnologia

    A química das águas

    em 07 de Junho de 2017

    A “fórmula” é simples: dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio (H2O) formam uma molécula de água.

    Mas para que a química funcione e a água que chega às torneiras seja a mais pura possível, existe uma série de cuidados e tratamentos que fazem parte da rotina das concessionárias privadas de saneamento e seus colaboradores.

    O controle de qualidade da água ofertada pelos serviços públicos de abastecimento no Brasil, sejam eles concessionárias públicas ou privadas, é estabelecido pela Portaria 2.914/11 do Ministério da Saúde. O documento é bastante extenso e deverá passar por uma revisão no próximo ano, conforme adianta o engenheiro sanitarista Eduardo Pacheco, dos portais Tratamento de Água e Saneamento Básico.

    Entre os testes estabelecidos pela Portaria estão aqueles que verificam as chamadas características organolépticas (que podem ser percebidas pelos sentidos humanos), tais como a cor, turbidez e a presença de cloro e flúor, bem como os que avaliam e controlam o nível de bactérias na água.

    A presença de compostos orgânicos é outro indicador importante: quanto maior a ocorrência dessas substâncias, mais difícil se torna o tratamento. São, em resumo, diversos ensaios previstos. A lei também indica qual a frequência com que eles devem ser feitos. “Uma análise físico-químico laboratorial completa da água custa em torno de dois mil reais”, estima Pacheco. Ele acrescenta que a portaria não entra no mérito da origem da água, ou seja, não importa se a água bruta a ser tratada vem de um rio ou do mar, como ocorre em Fernando de Noronha. “O manancial e o número de estações de tratamento do sistema influenciam no tamanho da estrutura dos laboratórios de controle das concessionárias, mas geralmente eles contam com um químico ou engenheiro sanitarista responsável pelos testes, além dos técnicos”, explica Pacheco.

    As concessionárias realizam alguns monitoramentos on-line na própria estação de tratamento, tais como os da turbidez de entrada e da condutividade elétrica.

    Estações de tratamento surgiram no século 19


    O homem polui suas águas há muito tempo, desde que nossa civilização deixou de ser nômade e decidimos nos fixar em aglomerados urbanos. Durante a Revolução Industrial, na Inglaterra, o acúmulo de dejetos se tornou insustentável para a saúde humana. O rio Tâmisa, em Londres, foi o primeiro a receber um sistema idealizado para o tratamento de água, em 1829. Mas a primeira estação propriamente dita seria construída em outra cidade inglesa, Windsor, em 1874.

     

    Laboratório da CSJ certificado e acreditado pelo inmetro

    Ensaios e testes no tratamento de esgoto

    Em Jundiaí (SP), a coleta e tratamento de esgoto foram universalizados, contribuindo para a recuperação do rio que cruza a cidade do interior paulista. Os exaustivos testes laboratoriais feitos pela concessionária CSJ (Companhia de Saneamento de Jundiaí) estão entre os fatores que permitiram atingir essa excelência.

    No estado de São Paulo, para o tratamento de esgoto é necessário o cumprimento da legislação estadual (artigo 18 da Lei nº 997) e da legislação federal por meio dos artigos 16 e 21 da Resolução Conama nº 430, lembra Agnes Tezotto Gutierrez, coordenadora de laboratório da CSJ, que trabalha à frente de uma equipe de seis colaboradores.

    “Os ensaios para verificar o atendimento da legislação são obrigatórios e envolvem os ensaios de DBO (demanda bioquímica de oxigênio), pH, fenol, fluoreto, óleos e graxas, sulfeto, sólidos sedimentáveis e alguns metais”, ela explica. Além disso, são realizados ensaios operacionais que não constam na legislação, mas são de extrema importância para servir de suporte para o setor operacional, como, por exemplo, os chamados DQO (demanda química de oxigênio) , série de sólidos e tratabilidade.

    Os pontos monitorados, os ensaios e suas respectivas frequências são realizados de acordo com um plano de monitoramento, abrangendo todas as etapas do tratamento (esgoto bruto, lagoa de aeração, esgoto tratado e o lodo líquido). A frequência pode variar entre diária, semanal ou bimestral. Ensaios como DQO, OD e sólidos sedimentáveis são realizados diariamente.

    O laboratório da CSJ começou suas atividades em 1999 apenas com os ensaios de DQO e sólidos sedimentáveis. Com a necessidade de novos testes, foram implantados os demais procedimentos. Em 2004, o laboratório conseguiu o certificado de acreditação pelo INMETRO, de acordo com a norma ABNT ISO/IEC 17.025. A amostragem e a preservação das amostras também são acreditadas, assim como os ensaios são realizados em laboratórios de terceiros.

    Veja também > A reclassificação do Jundiaí mostra que estamos no caminho certo, diz presidente da Agência PCJ

    Os ensaios realizados no monitoramento da ETE servem para verificar a eficiência do processo e garantir o lançamento do esgoto tratado, atendendo os limites preconizados na legislação. Além do monitoramento da ETE, o laboratório da CSJ realiza também ensaios para verificar os despejos individuais das indústrias ligadas na rede de esgotos, bem como testes de tratabilidade e controle dos recebimentos transportados por caminhão.

    Os ensaios dos despejos das indústrias ligadas na rede servem para verificar o atendimento à legislação e para atualizar cobrança das tarifas de carga orgânica. Já os ensaios realizados em esgoto via caminhão tem a função de avaliar se o material pode ser tratado na ETE, sem causar danos ao sistema de tratamento e à qualidade do esgoto tratado.

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