A crise hídrica se caracteriza pela insuficiência do abastecimento de água para atender, em volume e qualidade, o consumo humano em determinada região. Devido a fatores como mudanças climáticas, consumo inadequado e a falhas estruturais em sistemas de abastecimento e tratamento, a escassez hídrica é um fenômeno que vem se agravando em todo o planeta.

De acordo com relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), 2 a 3 bilhões de pessoas no mundo sofrem com a falta de água pelo menos um mês no ano, o que representa cerca de 30% da população global.

O levantamento estima também que a população urbana que enfrenta escassez de água deverá dobrar. Em 2016, eram 930 milhões de pessoas sofrendo com a falta de água. A Unesco estima que o número deve ficar entre 1,7 bilhão e 2,4 bilhões em 2050.

Dados da Unesco sobre a crise hídrica

FONTE: Unesco

 

No Brasil, a crise hídrica vem se aprofundando há pelo menos 10 anos e já compromete o abastecimento de grandes centros urbanos. Um dos casos mais emblemáticos foi o da Região Metropolitana de São Paulo, entre 2013 e 2015, quando os reservatórios do sistema Cantareira, principal manancial que abastece a área, chegou a operar com o chamado “volume morto” – reserva técnica de água mais profunda das represas.

Porém, os efeitos da crise hídrica não se limitam à maior cidade do país. O problema já é observado em outros grandes centros urbanos, principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro Oeste.

Confira ao longo deste artigo mais informações sobre a crise hídrica e seus impactos. Também são apresentados dados atualizados sobre como o setor de água e saneamento vem cumprindo o seu papel no enfrentamento do problema.

 

Crise hídrica no Brasil e seus impactos

De acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), cerca de 20% de toda a água que flui da terra para os oceanos é gerada em território brasileiro. Além disso, apenas dois terços do volume corrente no Rio Amazonas seriam suficientes para atender toda a demanda hídrica global.

A contradição desses números é o fato de que o país com abundância na disponibilidade mananciais sofre com falta de água em grande parte do seu território, incluindo grandes centros urbanos.

Além dos impactos sociais da crise hídrica, como aumento da segurança alimentar e empobrecimento da população, esse quadro causa grandes prejuízos econômicos. Um deles é o impacto no setor energético, uma vez que 65% da geração brasileira é proveniente de usinas hidrelétricas, o que resulta em aumento nas contas pagas pelos consumidores.

Outro segmento afetado é a agropecuária, responsável por cerca de 25% do PIB do país, levanto a aumento nos preços de produtos e do risco de insegurança alimentar.

 

10 soluções para a crise hídrica

 

  1. Investimento em infraestrutura – Desenvolvimento de projetos de infraestrutura para captura, armazenamento e distribuição eficiente de água, incluindo a construção de represas e sistemas de tratamento.

 

  1. Estímulo ao reuso de água – Incentivar práticas de reuso em setores como indústria, agricultura e residências, promovendo tecnologias de tratamento avançadas.

 

  1. Preservação de mananciais – Implementação de políticas rigorosas de preservação de mananciais, proibindo atividades que comprometam a qualidade da água, como desmatamento e poluição.

 

  1. Educação ambiental – Investimento em programas de conscientização ambiental para a população, visando reduzir o desperdício e promover o uso responsável da água.

 

  1. Agricultura sustentável – Desenvolvimento de técnicas agrícolas mais eficientes, como irrigação por gotejamento, que consomem menos água, e incentivar práticas sustentáveis no setor agrícola.

 

  1. Monitoramento e gestão – Uso de sistemas avançados de monitoramento e gestão hídrica, utilizando tecnologias como sensores e análise de dados para otimizar o uso dos recursos.

 

  1. Desenvolvimento de tecnologias – Pesquisa e desenvolvimento de tecnologias inovadoras para o tratamento de água, visando métodos mais eficientes e acessíveis.

 

  1. Políticas de uso racional – Políticas que incentivem o uso racional da água em todos os setores, com regulamentações mais rigorosas para o uso industrial e agrícola.

 

  1. Gestão integrada de recursos hídricos – Abordagem integrada na gestão de recursos hídricos, considerando aspectos sociais, econômicos e ambientais para garantir a sustentabilidade a longo prazo.

 

  1. Parcerias público-privadas – Facilitação de parcerias entre o setor público e privado para investimentos em soluções hídricas, aproveitando recursos e conhecimentos de ambas os segmentos.

 

Para que sejam eficazes, as soluções para o enfrentamento da crise hídrica precisam envolver diversos segmentos da sociedade para que sejam eficazes, desde os consumidores até empresas e governo.

 

Soluções para a crise hídrica no setor de saneamento

No setor de água e saneamento, operadoras privadas vêm alcançando nos últimos anos resultados expressivos em práticas que auxiliam no enfrentamento da crise hídrica, por meio práticas de gestão e tecnologias que beneficiam para as populações atendidas em suas áreas de atuação.

Uma das frentes de atuação são os esforços na redução de perdas nos sistemas de abastecimento, que atualmente atingem 40% da água potável que é distribuída no país. O problema é causado principalmente por vazamentos e ligações clandestinas.

A ESAP, que opera em Palestina (SP) apresenta o menor índice de perdas do país

A ESAP, que opera em Palestina (SP) apresenta o menor índice de perdas do país

 

Um dos destaques é a ESAP, empresa pertencente à Aviva Ambiental e à Iguá Saneamento e responsável pelos serviços de saneamento na cidade de Palestina (SP). A operação na região se destaca pela excelência na gestão, que alcançou o menor índice de perdas de água do país, com 11%, conforme estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil. Com esse resultado, a cidade supera grandes municípios, como Santos (14%) e Curitiba (25,34%).

Esse índice alcançado pela ESAP é resultado de uma série de ações realizadas, que asseguram a eficiência na gestão dos recursos hídricos, como o monitoramento diário de perdas de água nos sistemas de distribuição com pesquisas de vazamentos e por meio da mínima noturna.

Para isso, foi utilizada haste de escuta mecânica nos cavaletes residenciais da cidade e realizado sistema de geofonamento, que permite identificar o local exato do vazamento. A empresa também realizou campanhas de conscientização e combate a fraudes.

Na cidade de Votorantim (SP), a Águas de Votorantim reduziu o índice de perdas de 58% para menos 20% entre 2012 e 2023, por meio da implantação de um rigoroso programa de controle. As ações envolveram a instalação de macromedidores nas estações e nos reservatórios, além de equipamentos para a detecção de vazamentos.

 

O papel do ESG no combate à crise hídrica

Os efeitos transformadores da gestão do setor privado no enfrentamento da crise hídrica vão muito além das estatísticas, e podem ser observados na melhoria de indicadores de saúde da população. Programas de proteção de mananciais tem exercido, nesse contexto, papel fundamental para o desenvolvimento econômico dos municípios.

De acordo com dados do Sistema de Informações do Segmento Privado do Setor de Saneamento (SPRIS), gestão ambiental é um dos eixos mais consolidados entre as operadoras privadas comprometidas com práticas ESG – sigla em inglês para boas práticas ambientais, sociais e de governança.

Levantamento realizado pela organização revela que 93% das empresas privadas do setor possuem sistemas que identificam, analisam, avaliam, tratam, comunicam ou monitoram riscos ambientais em áreas sob influência de suas operações. O mesmo percentual é verificado entre as que possuem programas, políticas ou procedimentos para preservação de direitos humanos. Além disso, 89% realizam ações ou iniciativas de educação ambiental.