Doenças de veiculação hídrica são enfermidades causadas pela ingestão ou contato com água contaminada por microorganismos prejudiciais à saúde, como bactérias, vírus e parasitas. Esses patógenos podem provocar doenças sérias, como cólera, leptospirose e hepatite A. A transmissão ocorre frequentemente como resultado da falta de saneamento básico, poluição da água e más condições de higiene.

De acordo com informações do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS) referente ao ano base de 2020, ocorreram mais de 200 mil internações no Brasil causadas por doenças de veiculação hídrica, com um custo de R$ 70 milhões aos cofres públicos. A segunda edição do estudo O Saneamento e a Vida da Mulher Brasileira, realizado pelo Instituto Trata Brasil mostra que, em 2021, houve 43,3 milhões de casos de pessoas afastadas de suas atividades cotidianas pelo mesmo motivo. Desse total, 26,3 milhões de casos foram de mulheres, a maior parte de jovens com sintomas de diarreia e vômitos.

O estudo também demonstra como a falta de acesso ao serviço de saneamento está associada a doenças ginecológicas, causadas pela ausência de água potável, coleta de esgoto e banheiros exclusivos para a população feminina. Para se ter uma ideia, a existência de banheiros exclusivos reduz em 45,4% a probabilidade de afastamento por doença ginecológica, enquanto o atendimento de coleta de esgoto na moradia diminui em 18,1% a chance de uma mulher ter um afastamento causado por essa enfermidade.

 

Dados sobre saneamento no Brasil

Os dados demonstram que o cumprimento das metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento é uma forma de garantir que mulheres, principalmente as mais jovens, tenham condições de frequentar o ambiente escolar e cuidar de suas tarefas domésticas.

Neste artigo, trazemos dados sobre as principais doenças de veiculação hídrica mais comuns, formas de prevenção e como as empresas privadas do setor de saneamento têm contribuído com a mudança desse cenário em suas áreas de atuação.

 

10 principais doenças de veiculação hídrica no Brasil

 

  • Amebíase – Infecção por protozoário com formas intestinal e extra-intestinal. Pode variar de leve a grave, com sintomas como diarréia, sangue nas fezes e febre.

Prevenção: Saneamento básico, higiene pessoal e tratamento da água.

 

  • Cólera – Doença intestinal aguda causada por Vibrio cholerae, resultando em diarréia profusa e desidratação.

Prevenção: Água tratada, saneamento adequado e vacinação.

 

  • Dengue – Doença febril aguda, podendo ser benigna ou grave, transmitida por mosquitos.

Prevenção: Controle de mosquitos, eliminação de criadouros e medidas de proteção individual.

 

  • Doenças Diarréicas Agudas – Síndrome com aumento de evacuações, fezes aquosas, vômito, febre. Pode ser autolimitada ou grave, levando à desidratação.

Prevenção: Higiene, água tratada, práticas de saneamento e conscientização.

 

  • Esquistossomose – Infecção por parasito trematódeo, com fase aguda assintomática ou febre de Katayama.

Prevenção: Controle de caramujos, saneamento e educação sobre riscos.

 

  • Filariose – Doença parasitária crônica que pode causar incapacidades. Estratégias de intervenção disponíveis para erradicação.

Prevenção: Intervenções específicas conforme estratégias globais.

 

  • Febre Tifoide – Relacionada às condições de saneamento, causando febre alta, dor abdominal.

Prevenção: Saneamento adequado, higiene e vacinação.

 

  • Giardíase – Infecção por protozoários no intestino delgado, podendo ser assintomática ou causar diarréia crônica.

Prevenção: Tratamento da água, higiene e educação sobre prevenção.

 

  • Hepatite A – Doença viral aguda que afeta o fígado, com sintomas semelhantes a uma síndrome gripal.

Prevenção: Higiene, consumo de água potável e vacinação.

 

  • Leptospirose – Infecção aguda causada por bactéria Leptospira, transmitida por água contaminada por urina de animais infectados.

Prevenção: Evitar contato com água contaminada, higiene e controle de roedores.

Fonte consultada: Ministério da Saúde

 

Investimento é solução para a prevenção de doenças

Projeto da Águas de Manaus reduziu incidência de doenças de veiculação hídrica em Beco Nonato

Equipe da concessionária Águas de Manaus na comunidade Beco Nonato

Conforme é possível observar pelos dados oficiais e pelas características das doenças de veiculação hídrica, a viabilização do investimento no saneamento básico é fundamental para a saúde pública e na redução de impactos socioeconômicos. De acordo com informações do Panorama da Participação Privada no Saneamento, da ABCON SINDCON, são necessários investimentos da ordem de R$ 900 milhões para que sejam cumpridas as metas de universalização previstas no Marco Legal do Saneamento.

As empresas privadas de saneamento têm sido importantes parceiras do setor público na realização de boa parte desses investimentos necessários para o cumprimento das metas e, consequentemente, na melhoria dos indicadores de saúde em suas regiões de atuação. Isso envolve, inclusive, o atendimento de áreas desassistidas na prestação dos serviços de água tratada e saneamento.

Um exemplo de atuação dos investimentos privados como indutor de melhorias nas políticas públicas de saúde é a atuação da Águas de Manaus, do grupo Aegea, na capital amazonense. Desde o início de suas atividades, em 2018, a concessionária tem investido no avanço do saneamento na cidade, com prioridade em relação às áreas mais vulneráveis.

Ao todo, já foram instalados mais de 200 quilômetros de rede que beneficiaram aproximadamente 200 mil pessoas. Como parte das ações do programa Vem Com a Gente, técnicos da concessionária percorrem os bairros da cidade e mapeiam os locais que necessitam de regularização do serviço. A primeira comunidade a ser beneficiada pela iniciativa foi o Beco Nonato, onde mais de 900 pessoas passaram a contar com infraestrutura de água e saneamento.

Um dos resultados mais significativos desse trabalho foi a queda nos índices de doenças de veiculação hídrica. Segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), foram registrados seis casos de hepatite A na capital amazonense em 2022.  O dado representa 82,4% de queda em relação a 2019, quando foram confirmados 34 casos da doença. O número de pacientes com leptospirose também diminuiu nos últimos anos, com 32 ocorrências em 2022, contra 43 em 2019 – ou seja, redução de 25,6%.

Ainda de acordo com a FVS-AM, as ocorrências de diarreia aguda, uma das principais doenças causadas pela ingestão de água contaminada, caíram em mais de dois mil casos no período, saindo de 99.974 registros em 2019 para 97.735 casos em 2022.Os dados coincidem com os investimentos realizados na expansão dos serviços de água tratada e esgoto no mesmo período.

 

Internações caem 94% em Campos

Em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, os serviços da concessionária Águas do Paraíba, do grupo Águas do Brasil, resultaram em uma expressiva redução da incidência de doenças de veiculação hídrica e de óbitos. De 2010 a 2021, o número de internações anuais por doenças de veiculação hídrica caiu 93,4%, com um total de 78 casos, sem o registro de óbitos.

Niterói, Petrópolis e Campos foram as três cidades do Estado do Rio de Janeiro que ocuparam as três primeiras colocações no ranking 2022 do Instituto Trata Brasil em atendimento dos serviços de água e saneamento, todas com concessões operadas pela Águas do Brasil.

 

Investimentos da Prolagos reduzem taxa de mortalidade

Nas cidades de Arraial do Cabo, Armação dos Búzios, Cabo Frio, Iguaba Grande e São Pedro da Aldeia, a Prolagos, do grupo Aegea, já investiu mais de R$1,4 bilhão ao longo de 25 anos de atuação. De acordo com dados do Ministério da Saúde a taxa de mortalidade por doenças de veiculação hídrica é reduzida, sendo zero em quase todos os anos.

Neste período, a concessionária triplicou o fornecimento de água potável, passando de 30% para 98%, e saltou de 0% para 80% a coleta e o tratamento do esgoto.

“Trabalhamos incansavelmente todos os dias, levando saneamento básico para milhares de pessoas. Somos movidos pelo propósito de proporcionar qualidade de vida e saúde para a população da Região do Lagos por meio dos nossos serviços. Diariamente reforçamos o nosso compromisso de cuidar de todo o ciclo da água, zelando pelo bem-estar das famílias e preservação do meio ambiente”, ressalta Pedro Freitas, diretor-presidente da Prolagos.

 

Impactos na saúde e na escolaridade

De acordo com a pesquisa “O líquido da vida: estimando os impactos dos serviços de água e saneamento na saúde no Brasil”, realizada pela IDB Invest em parceria com a BRK, aumentar em 10 pontos percentuais a cobertura de água potável e saneamento básico pode resultar em uma redução de mais de 50% nas internações por dengue no país.

O estudo abrangeu 38 municípios atendidos pela BRK, avaliando os impactos do saneamento na saúde e no desempenho escolar. A expansão dos serviços de água reduziu em 16% os gastos públicos com internações relacionadas à dengue, enquanto a expansão do esgoto reduziu essas despesas em 8%.

Também houve uma média de redução de 1,3 ano no atraso escolar para crianças com acesso à água, e 2,2 anos para aquelas com acesso ao esgoto. O investimento em saneamento traz benefícios significativos para a qualidade de vida e o desenvolvimento das comunidades atendidas.

 

Cobertura de 100% em Cuiabá

Desde 2017, a Águas Cuiabá, da Iguá Saneamento, é a responsável pelos serviços de água e esgoto na capital mato-grossense por meio de concessão plena, iniciada em 2012. A iniciativa ampliou o abastecimento de água na capital e completou 100% de cobertura com água tratada. Além disso, elevou de 53% para 79% a cobertura da rede de esgoto, com investimentos que somam mais de R$ 900 milhões.

Os investimentos trouxeram benefícios para as pessoas e o meio ambiente, como a queda de 93% da taxa de incidência de internações por doenças associadas à falta de saneamento por cada 10 mil habitantes (14,54 pessoas em 2012 e 0,96 em 2020) e a redução de 13 toneladas por dia de carga poluidora nos rios Cuiabá e Coxipó.

Em 2022, Cuiabá recebeu o prêmio “Casos de Sucesso – Inovação & Tecnologia – Saneamento Básico”, concedido pelo Instituto Trata Brasil, em reconhecimento pelos investimentos realizados nos últimos 10 anos. O prêmio levou em consideração o valor médio investido de R$ 214,13 por habitante para expandir os serviços de água e esgotamento sanitário da capital. Esse foi um dos maiores montantes financeiros observados em um município, conforme dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), com reflexo direto no aumento da população coberta com os serviços.