Eficiência energética refere-se ao uso racional e otimizado da energia para realizar uma determinada atividade, minimizando desperdícios e maximizando o aproveitamento. Dessa forma, permite redução de custos operacionais e impactos ambientais nas atividades das empresas.

Com as metas de universalização dos serviços de saneamento até 2033, conforme previsto no Marco Legal do Saneamento, a perspectiva é de que a demanda por energia pelo setor cresça ainda mais. Por isso, as empresas privadas vêm desenvolvendo soluções para aumentar a eficiência energética de suas operações.

De acordo com dados do Sistema de Informações do Segmento Privado do Setor de Saneamento (SPRIS), a gestão ambiental é um dos eixos ESG mais consolidados entre as operadoras privadas. Entre os destaques estão os programas internos de eficiência energética, que envolvem 91% das operadoras.

As operações de captação, tratamento e distribuição de água e de coleta e tratamento de esgoto são intensivos no uso de energia, tornando o insumo responsável por até 30% dos custos operacionais em alguns casos.

 

 

4 soluções de eficiência energética no saneamento

  1. Utilização do biogás: Aproveitamento de gases resultantes do tratamento de esgoto para geração de energia.
  2. Construção de usinas solares: Implementação de painéis solares em instalações de saneamento.
  3. Investimentos em processos e equipamentos: Modernização de tecnologias para reduzir o consumo energético.
  4. Compra de energia no mercado livre: Aquisição de energia a preços competitivos e de fontes renováveis.

 

Uso do biogás no saneamento

A GS Inima foi pioneira no Brasil ao implementar um sistema de geração de energia elétrica a partir do biogás, em Ribeirão Preto (SP)

A GS Inima foi pioneira no Brasil ao implementar um sistema de geração de energia elétrica a partir do biogás, em Ribeirão Preto (SP)

No saneamento, o biogás pode ser produzido durante o tratamento de esgoto e em aterros sanitários. No tratamento de esgotos, o insumo é gerado pela decomposição anaeróbica da matéria orgânica em estações de tratamento e lagoas de estabilização. O biogás é composto principalmente por metano e dióxido de carbono que, uma vez purificados, podem gerar eletricidade ou calor. Dessa forma, contribuem para a redução do uso de combustíveis fósseis e na redução de emissões de gases de efeito estufa.

O setor de saneamento é um dos maiores produtores de biogás no Brasil, com destaque para a utilização dessa tecnologia para a geração de energia elétrica e térmica. A produção de biogás no setor de saneamento pode atender a uma demanda energética significativa, proporcionando uma fonte de energia limpa e renovável.

A GS Inima foi pioneira no Brasil ao implementar um sistema de geração de energia elétrica a partir do biogás, em Ribeirão Preto (SP).  A unidade produz cerca de 8 mil metros cúbicos normais (Nm³) de biogás por dia. O insumo é gerado é utilizado para acionar um motor de combustão que produz eletricidade.

A etapa inicial de implantação foi baseada em estudos que indicaram a possibilidade de elevar o índice de 30% de aproveitamento do gás, antes utilizado unicamente para aquecimento do digestor do lodo. O restante era queimado no flair, equipamento próprio para a queima dos gases, evitar explosões e diminuir e emissão de poluentes.

Em vez de ser queimado, o biogás passa pelo tratamento de remoção de umidade antes de ser enviado aos motores de combustão para acionar os geradores na produção de energia elétrica. Com capacidade para produzir cerca de 15 mil kw/h diariamente, o sistema permite que a água usada para resfriamento dos motores seja aproveitada para aquecimento do lodo no digestor. O gás tem alto poder calorífico e possui em sua composição aproximadamente 60% de CH4 (metano) e 40% de CO2 (gás carbônico).

 

Maior demanda do mercado livre de energia

As empresas de saneamento estão cada vez mais recorrendo ao mercado livre de energia para reduzir custos e aumentar a eficiência. Segundo a Abraceel, 82% das empresas de saneamento do Brasil utilizam o pelo mercado livre de energia. Além da busca de preços mais competitivos, a iniciativa tem como propósito o uso de fontes de energia mais sustentáveis. Em 2022, essas empresas economizaram cerca de R$ 300 milhões em custos de energia, demonstrando a eficácia dessa estratégia.

Ao longo dos últimos 36 meses, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022, o setor de saneamento básico liderou o crescimento do consumo de energia no mercado livre em 25 ocasiões em uma avaliação que considerou 15 segmentos produtivos.

A Aegea, por exemplo, alcançou resultados significativos ao migrar para o mercado livre. A empresa conseguiu reduzir seus custos operacionais em até 20% e adotou uma política de compra de energia de fontes renováveis, contribuindo para a sustentabilidade de suas operações e para a redução de sua pegada de carbono.

 

Saneamento e energia solar

O uso da energia solar vem crescendo no setor de saneamento como uma solução eficaz para a eficiência energética nas operações. Para resolver as dificuldades identificadas no setor, foi estudada a utilização de energia solar por meio da instalação de painéis fotovoltaicos, que fornecem energia para os equipamentos necessários às operações de saneamento.

 

As principais vantagens deste uso incluem:

  • Redução de gastos com outras fontes de energia: A energia produzida pelos painéis é armazenada em baterias para atender a demanda energética dos equipamentos de saneamento.
  • Produção de uma corrente estável: Redução do risco de avarias nos equipamentos de saneamento e, consequentemente, prolonga sua vida útil.
  • Fonte renovável de energia: Menos impacto ambiental durante o uso, com alinhamento aos objetivos de sustentabilidade do setor.

 

A usina fotovoltaica em Cachoeiro de Itapemirim foi projetada para maximizar a eficiência energética e reduzir a dependência de fontes de energia não renováveis

A usina fotovoltaica em Cachoeiro de Itapemirim foi projetada para maximizar a eficiência energética e reduzir a dependência de fontes de energia não renováveis

 

Em 2019, a BRK Ambiental estabeleceu a meta alcançar 50% da energia utilizada em suas operações a partir de fontes renováveis até 2021. A partir de uma série de iniciativas, a empresa não apenas atingiu, como superou esse objetivo, alcançando o índice de 54%. Entre os projetos que permitiram esse desempenho foi a implementação de plantas de autogeração de energia fotovoltaica, como a usina fotovoltaica instalada em Cachoeiro de Itapemirim.

Naquele ano, a usina completou dois anos de operação com a geração de 34.310 kWh de energia sustentável. A usina fotovoltaica em Cachoeiro de Itapemirim foi projetada para maximizar a eficiência energética e reduzir a dependência de fontes de energia não renováveis.

A energia gerada pela usina não apenas supre parte significativa das necessidades energéticas das operações locais da BRK, mas também serve como um modelo de sustentabilidade para outras regiões. Com a nova meta de 68% de consumo de energia renovável até 2030, a BRK se mantém como uma das líderes do setor de saneamento em práticas sustentáveis e eficientes.

 

Equipamentos e práticas para a eficiência energética

De acordo com o Guia de Eficiência Energética em Saneamento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), há diversas medidas operacionais que podem reduzir o consumo de energia nas operações do saneamento básico, entre eles: 

  • Reabilitação ou substituição de motor-bombas
  • Utilização de inversores de frequência
  • Redução de perdas de água e do volume bombeado
  • Aumento do volume reservado e redução de demanda na ponta

 

Desde outubro de 2021, a Águas de Colíder, operação do Grupo Iguá no Mato Grosso, vem implantando sistemas de automação e telemetria.

Desde outubro de 2021, a Águas de Colíder, operação do Grupo Iguá no Mato Grosso, vem implantando sistemas de automação e telemetria.

 

Desde outubro de 2021, a Águas de Colíder, operação do Grupo Iguá no Mato Grosso, vem implantando sistemas de automação e telemetria. O sistema permite o monitoramento 24 horas por dia de uma série de informações, tais como níveis dos reservatórios, pressões na rede, funcionamento dos equipamentos das estações de tratamento, monitoramento das elevatórias de esgoto e geradores de energia. A tecnologia não apenas reduz o consumo em 15%, como melhora a confiabilidade dos serviços prestados e diminui os custos operacionais.