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Levantamento da CNI indica que país precisa investir até 2033 mais de R$ 42 bilhões para reduzir pela metade o desperdício no fornecimento.

Uma pesquisa nacional revelou ao país uma espécie de orçamento. Quanto custaria para o Brasil o desafio de reduzir as perdas de água potável?

Uma equipe de técnicos buscam sons da cidade que ninguém ouve. O aparelho revela os ruídos de água vazando por baixo da terra. Mas, às vezes, basta o “olhômetro” para achar um vazamento. No Brasil, 40% da água potável que é distribuída se perde no meio do caminho. Além dos vazamentos, há as ligações clandestinas. Elas abastecem de forma precária famílias pobres.

“É raro quando fica a noite toda com água”, revela a dona de casa Shaiane Rodrigues, que ao ser perguntada se gostaria de ter um hidrômetro, não demora a responder. “Sim. É bom, né? Pelo menos ia ter água, pagava por alguma coisa que tinha”.

E o improviso dessas ligações também joga água fora.

“A gente está numa escassez tremenda. Mas a gente ainda se depara com muitos locais aqui com desperdício de água”, conta Rodrigo Olegário, líder comunitário da Vila Brasilândia.

Um levantamento da CNI, Confederação Nacional da Indústria, indica que o Brasil precisa investir, de agora até 2033, mais de R$ 42 bilhões para reduzir pela metade as perdas de água na distribuição. O ano de 2033 é o prazo estabelecido no Plano Nacional de Saneamento Básico, para que o país consiga levar água potável e coleta e tratamento de esgoto a quase toda a população.

Mônica Messenberg, diretora de Relações Institucionais da CNI, afirma que esse montante de investimento nunca foi feito no Brasil.

“O investimento nesse segmento tem sido muito aquém do necessário. Porém, ele é extremamente relevante para os resultados que ele vai trazer. Ele vai reduzir o nosso desperdício de hoje de 40%, que comparado aos países que hoje são benchmark , seria 10%, como Alemanha e Japão. Essa política de saneamento, em algum momento, é fundamental para você atingir alguns objetivos que são objetivos primordiais para o país: a redução da pobreza, da desigualdade, o aumento do desenvolvimento econômico”, afirma.
Há uns 40, 50 anos, as redes de distribuição de água eram feitas com tubos de ferro fundido. Hoje, essa tubulação tem vazamentos por causa da deterioração do material, da pressão que o sistema usa para fazer a água chegar a todos os lugares e até por causa da trepidação que os veículos provocam quando passam pelo asfalto. Aos poucos, essa tubulação está sendo substituída por uma outra, feita com tubos de um tipo de plástico, que é até um pouco flexível e, por isso, mais resistente.

O novo marco legal do saneamento, que começou a valer em 2020, abriu mais espaço para participação do setor privado. Percy Soares Neto, diretor da Associação Brasileira dos Operadores Privados de Saneamento, representa essas empresas particulares.

“Aumentar investimentos em perdas de água não quer dizer necessariamente aumentar em tarifa. A perda de água ou o roubo de água é prejudicial aos demais cidadãos. O investimento em perda de água tem também um componente de justiça social importante, quer dizer: se eu acabar com esses desvios de água, eu consigo provavelmente dividir entre mais pessoas a conta”, diz o executivo.

Sobre a falta de saneamento regular em alguns pontos na Vila Brasilândia, em São Paulo, a Sabesp afirmou que a lei proíbe as ligações em áreas irregulares.

Fonte: Jornal Nacional