Universalização demanda mais postos de trabalho e qualificação, como nunca se viu antes no saneamento. Concessionárias privadas se preparam para essa nova realidade

 

Quando se fala em universalizar o saneamento, logo pensamos no resultado que esse investimento provocará na saúde e no bem-estar da população. Ao lado dessa preocupação inicial, há uma série de impactos positivos que o saneamento como prioridade proporciona. A geração de empregos é um deles.

Os números do estudo “Impactos Econômicos da Universalização do Saneamento Básico no Brasil”, da ABCON SINDCON, revelam que o esforço dessa universalização dos serviços no país, conforme previsto no marco legal, vai demandar 1,5 milhão de postos de trabalho adicionais. Feitos os investimentos previstos, somente com o saneamento o Brasil terá um acréscimo de quase 1% no nível de empregos nos próximos dez anos.

É um impacto considerável, que já pode ser sentido com mais nitidez em regiões onde as concessionárias privadas estão mais presentes a partir de 2020, quando a Lei 14.026/20 entrou em vigor. É o caso do Rio de Janeiro, onde todas as empresas que assumiram concessões nos últimos anos contrataram de maneira expressiva, valorizaram a mão-de-obra local e estão investindo na captação de novos talentos.

O Grupo Aegea, por exemplo, em seu relatório de sustentabilidade, reporta que houve um acréscimo de 3,5 mil colaboradores diretos entre 2021 e 2022, e o Ecossistema Aegea atingira 11 mil colaboradores no total naquele ano (um incremento de 46,5%).

No Grupo Iguá, o programa de estágio foi implementado com sucesso há tempos. Na última chamada, foram abertas 49 vagas para os estagiários atuarem ao lado do quadro de colaboradores da empresa em todo o país. Os estagiários participam de uma trilha de formação com ações mensais de desenvolvimento, que possuem como objetivo proporcionar aprendizagem e desenvolvimento por meio de formação técnica e comportamental, atuação nas áreas operacionais e administrativas, participação em projetos e troca de experiências com os profissionais do grupo para aplicarem em sua atuação, bem como agregar inovação ao saneamento e assumir futuras posições na Iguá.

“As empresas de nosso setor estão cada vez mais presentes nas feiras de trainees e estágios, o que já é reflexo dessa percepção de que o saneamento chega para se tornar, com seu apelo de melhoria da saúde, sustentabilidade e qualidade de vida, numa nova fronteira para carreiras e empregos”, analisa Luciana Reis, coordenadora do comitê de Recursos Humanos da ABCON SINDCON e diretora de gestão de pessoas do Grupo Águas do Brasil.

Outra vertente, conta ela, é a prioridade para contratação do pessoal que mora nas comunidades atendi- das. “A geração de empregos locais é algo, inclusive, que o poder público aguarda que aconteça, sempre que existe uma concessão em parceria com a iniciativa privada. Com o marco legal, esse é um caminho sem volta, que só tende a crescer”, completa Luciana.

 

Pesquisa e troca de experiências em 2024

O Comitê de Recursos Humanos da ABCON SINDCON está encaminhando uma pesquisa que juntou todas as grandes empresas com concessionárias privadas de saneamento para extrair indicadores atualizados de remuneração e outros aspectos de RH referentes à atividade de água e esgoto no país.

“A pesquisa nacional está contratada e deve ter seus resultados divulgados em breve”, conta Luciana Reis, coordenadora do comitê. “Ela será importante para nortear o mercado, hoje em plena expansão, em suas políticas de recursos humanos e contratações. A expectativa com a conclusão desse levanta- mento é grande”, completa.

Luciana ressalta o fato de que a pesquisa foi pensada especificamente para o setor. “O saneamento tem muitas funções bem características, como opera- dor de ETE, que não estão presentes em outros setores de infraestrutura. Cabe ressaltar também o caráter nacional da iniciativa, para termos uma dimensão das peculiaridades regionais”, completa ela.

No âmbito do Comitê, a coordenadora espera que 2024 seja ainda mais rico em troca de experiências e trabalho conjunto para alimentar as boas práticas de mercado. “A pesquisa marca o início desse esforço cooperado. Queremos reforçar essa integração e pensar na proposição de alternativas que tragam diferencial aos profissionais que atuam no setor”, finaliza Luciana.