ABCON entrevistou Paulo Roberto de Oliveira, CEO da GS Inima, eleito em dezembro novo presidente do Conselho de Administração da ABCON. O executivo é um dos fundadores da ABCON e volta a ocupar o cargo no ano em que a associação completa 30 anos. Nessa entrevista, o presidente destaca as prioridades da sua gestão, analisa os avanços e os desafios do setor de saneamento básico no Brasil.

Assumir a presidência do Conselho de Administração da ABCON no ano em que a entidade completa 30 anos traz quais responsabilidades e prioridades imediatas?
Assumir a presidência da ABCON, que completa 30 anos de história e reúne associados em todo o país, é uma grande honra. Reafirmo meu compromisso de seguir fortalecendo a atuação institucional com propósito e responsabilidade, garantindo transparência na prestação de contas desse período. Ao mesmo tempo, destaco a importância de olhar para o futuro, com planejamento sólido, para consolidar ainda mais a presença da entidade no mercado.

Como o senhor avalia a trajetória da ABCON ao longo dessas três décadas e o papel da entidade na consolidação da participação privada no saneamento básico no Brasil?
Foi uma trajetória marcada por muito trabalho, dedicação e persistência. Acredito na importância de seguir adiante com a convicção de que o futuro do saneamento no Brasil sempre esteve ligado à participação privada.
Estou certo de que os próximos anos serão construídos sobre uma base institucional sólida, pautada pelo diálogo e pela unidade, tendo os associados como referência essencial para o planejamento das ações, fortalecendo o posicionamento do setor privado como um elo essencial para a promoção da universalização dos serviços de água e esgoto.

Quais serão os principais eixos de atuação do Conselho de Administração sob sua presidência?
Fortalecer a ABCON como instituição nacional de representação das empresas que promovem a universalização do saneamento, destacando sua atuação responsável nos debates institucionais de interesse das associadas, é um objetivo central. Nesse mesmo caminho, é necessário buscar maior aproximação com os poderes Legislativo e Executivo, garantindo a manutenção do Marco do Saneamento em vigor e assegurando estabilidade ao setor.  Ao mesmo tempo, é fundamental manter-se atento, não se omitir e participar dos debates de forma institucional, reforçando as prerrogativas da unidade associativa e consolidando a representatividade da ABCON.

De que forma a experiência como CEO da GS Inima no Brasil e como um dos fundadores da ABCON contribui para esse novo desafio à frente do Conselho?
Todos os desafios enfrentados e superados desde a primeira concessão da GS Inima no Brasil, com a Ambient em 1995, me proporcionaram visão ampla e conhecimento sobre os entraves que existiam à participação privada. Sem dúvida, essa experiência será fundamental para contribuir nas propostas e nos debates junto aos demais conselheiros.

O Plano de Negócios e o Orçamento de 2026 foram aprovados na AGO. Quais são os principais pontos e metas estabelecidas para o próximo ano?
Fortalecimento da ABCON perante o mercado bem como a busca por novos associados; Acompanhamento e atuação forte junto ao poder legislativo; Participação em todos os eventos do setor, levando um forte posicionamento da participação privada; Acompanhar e levar propostas aos principais candidatos ao executivo federal.

Como o senhor pretende fortalecer a atuação institucional da ABCON em um momento de mudanças regulatórias e de ampliação dos investimentos no setor?
Participar ativamente de todos os fóruns sobre saneamento, atuando de forma consistente ao lado de outras entidades e contando sempre com o apoio da equipe, é um passo essencial para ampliar o diálogo e fortalecer a representatividade do setor. Nesse mesmo sentido, torna-se fundamental manter uma agenda permanente com os poderes Legislativo e Executivo, garantindo que o Marco Regulatório do Saneamento em vigor tenha continuidade e seja aplicado de maneira efetiva, garantindo o crescimento econômico do setor e a segurança jurídica de contratos de concessão e PPPs. Com essas ações articuladas, é possível contribuir de forma decisiva para o fortalecimento da ABCON e para o seu posicionamento como referência nacional no setor de saneamento.

Qual a importância da renovação dos membros dos Conselhos de Administração e Fiscal para a governança da entidade?
Acredito que renovar forças, energias e trazer ideias são fundamentais para traçar caminhos e impulsionar avanços em um país tão complexo como o Brasil.

Na sua avaliação, quais são hoje os principais desafios e oportunidades para o avanço do saneamento privado no Brasil?
Acredito que o acesso a água tratada de qualidade e a coleta e tratamento adequado do esgoto deixaram de ser apenas uma questão de infraestrutura, porque vai muito além do contrato e investimentos realizados, trata-se de uma questão de saúde pública, de melhoria de qualidade de vida, de acesso a um bem universal e de políticas públicas eficientes.
Atrelado a isso temos a necessidade de desenvolvermos um trabalho sério e consistente na mitigação de eventos climáticos dedicando atenção à segurança hídrica.
Isso se apresenta como um grande desafio à medida que caminhamos a passos lentos na regulação de processos como reúso de água e dessalinização no território brasileiro.
Temos a oportunidade de avançar não só com a regulação, mas com processos e tecnologias adequadas que proporcionam soluções operacionais adaptadas as necessidades de cada território perante esta incrível diversidade de clima que encontramos no Brasil.
O marco regulatório do saneamento nos direciona para a consolidação desses serviços que são essenciais, priorizando a agenda da universalização e promovendo a participação do privado de norte a sul do país.

Que legado o senhor espera construir à frente do Conselho de Administração da ABCON?
Com três décadas de experiência e aprendizado, espero contribuir para a consolidação da participação privada nos serviços de saneamento e para o fortalecimento do reconhecimento da ABCON como a principal entidade do setor no Brasil.

Qual mensagem o senhor gostaria de deixar para os associados e para o setor de saneamento neste novo ciclo da entidade?
Aos associados, reafirmo que dedicarei todo meu empenho e compromisso para honrar o posto que me foi confiado, contando com o apoio de todos. Ao setor, asseguro que as empresas privadas continuarão crescendo e consolidando sua participação, oferecendo serviços de qualidade, com tecnologia e sustentabilidade.

Via Revista TAE